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Home / Calendário Vaishnava / Ekadasi / Histórias dos Ekadasis - 9 a 16 / 9- Papamocani Ekadasi

9- Papamocani Ekadasi

                   Maharaja Yudhisthira disse:

                   -Ó Senhor Supremo, eu ouvi sua descrição sobre o Amalaki Ekadasi, o qual corre durante o quarto crescente do mês Phalguna(fevereiro/março), agora desejo ouvir sobre o Ekadasi que ocorre durante o quarto minguante do mês Caitra(março/abril). Qual é seu nome? Ó Senhor, e quais são os resultados obtidos por observá-lo?

                   A Suprema Personalidade de Deus, Sri Krishna respondeu:

                   -Ó melhor dentre os reis, para o benefício de todos Eu descreverei com alegria as glórias deste Ekadasi, o qual é conhecido como Papamocani. A história deste Ekadasi foi narrada ao imperador Mandhata por rsi Lomasa. O rei Mandhata dirigiu-se assim ao sábio:

                   -Ó grande sábio, para o benefício de todas as pessoas, por favor, descreva o nome do Ekadasi que ocorre durante o quarto minguante do mês Caitra, e, por favor, explique os benefícios que alguém obtém por observar este Ekadasi.

                   Lomasa rsi respondeu:

                   -O Ekadasi que ocorre durante o quarto minguante do mês Caitra é conhecido como Papamocani. Para o devoto fiel ele remove as influências dos fantasmas e demônios. Ó leão entre os homens, este Ekadasi tambem concede as oitos perfeições da vida, cumpre todos os tipos de desejos, purifica a vida da pessoa de todas as reações pecaminosas e torna a pessoa perfeitamente virtuosa.

                   Agora por favor, ouça o acontecimento histórico relativo a este Ekadasi e Citraratha, o chefe dos Gandharvas (músicos celestiais). Durante a estação da primavera, na companhia de apsaras (dançarinas celestiais), Citraratha certa vez chegou a uma bela floresta, repleta de muitas variedades de flores. Ali, ele e as apsaras juntaram-se a outros gandhavas e muitos Kinnaras, juntos com o senhor Indra em pessoa, o rei do céu, o qual estava desfrutando da visita àquele local. Todos sentiam que não havia melhor local que aquela floresta. Muitos sábios também estavam presentes executando austeridades e penitências. Os semideuses particularmente desfrutavam visitando os jardins celestiais durante os meses de Caitra e Vaisakha(abril/maio).

                   O grande sábio chamado Medhavi residia naquela floresta e as dançarinas mui atrativas, costumavam sempre tentar seduzi-lo. Uma famosa moça em particular, Manjughosa, planejava de muitas maneiras seduzir o muni exaltado, mas devido ao grande respeito pelo sábio, e temor do seu poder, o qual ele tinha obtido após anos e anos de ascetismo, ela não se aproximava muito dele. Em um local, alguns poucos quilômetros do sábio, ela armou uma tenda e começou a cantar muito docemente enquanto tocava uma tamboura. O cupido em pessoa tornou-se excitado quando ouviu e viu ela executar a música tão belamente e por ter sentido o aroma do seu ungüento de pasta de sândalo. Ele lembrou-se de sua própria experiência desafortunada com o senhor Siva e decidiu vingar-se através de seduzir Medhavi.(nota 1)

                   Usando as sobrancelhas de Manjughosa como um arco, seus olhares como a corda do arco e seus olhos como flechas, seus seios como alvo, o cupido se aproximou de Medhavi afim de induzi-lo a romper seu transe e quebrar seus votos. Em outras palavras, o cupido ocupou Manjughosan como sua assistente, e quando ela olhou para aquele poderoso e atrativo jovem sábio, ela também tornou-se agitada pela luxuria. Vendo que ele era altamente inteligente e erudito, usando um cordão de brahmana limpo e branco ao redor dos seus ombros e segurando um bastão de sanyasi, e estando sentado no belo asrama de Cyavana rsi, Manjughosa foi até ele.

                   Ela começou a cantar sedutoramente e os pequenos sinos em seu cinturão ao redor de seus quadris, juntos com os braceletes em seus punhos, produziam uma sinfonia musical muito agradável. O sábio Medhavi ficou encantado. Ele compreendeu que aquela bela mulher desejava unir-se com ele, e naquele momento o cupido incrementou a sua atração por Manjughosa atirando suas poderosas armas de tato, aroma, visão e do som.

                   Vagarosamente Manjughosa aproximou-se de Medhavi, seus movimentos corpóreos e olhares doces o atraíram. Ela graciosamente colocou sua tamboura no chão e abraçou o sábio com seus dois braços, exatamente como uma trepadeira se enrosca numa forte árvore. Cativado, Medhavi abandonou sua meditação e decidiu desfrutar com ela, e instantaneamente a pureza do seu coração e mente o abandonaram. Esquecendo até mesmo a diferença entre o dia e a noite, ele saiu do local com ela por muito tempo.(nota 2)

                   Vendo que a santidade do jovem yogi tinha sido seriamente corroída, Manjughosa decidiu abandoná-lo e retornar à sua casa. Ela disse:

                   -Ó grande sábio, por favor, permita-me retornar para minha casa.

                   Medhavi respondeu:

                   -Mas você acabou de chegar, ó belíssima, por favor, fique comigo até amanhã.

                   Temendo o poder místico do sábio, Manjughosa permaneceu com Medhavi precisamente por cinqüenta e sete anos, nove meses e três dias. Mas para Medhavi todo esse tempo parecia somente um momento. Novamente ela pediu a ele:

                   -Por favor, permita que eu parta.

                   Medhavi respondeu:

                   -Ó querida, por favor, me ouça e fique comigo por mais uma noite, e então você poderá partir amanhã de manhã. Simplesmente fique comigo até eu terminar meus deveres matinais e ter cantado o sagrado mantra gayatri. Por favor, espere até eu fazer isto.

                   Manjughosa ainda tinha medo do poder místico do grande sábio, mas ela forçou um sorriso e disse:

                   -Quanto tempo você vai demorar para terminar seus hinos e deveres matinais? Por favor, seja misericordioso e pense em todo tempo que você já perdeu comigo.

                   O sábio refletiu sobre os anos que ele tinha estado com Manjughosa e então disse com grande surpresa:

                   -Por que eu gastei mais de cinqüenta e sete anos com você? Seus olhos ficaram vermelhos e emanaram faíscas. Ele agora aceitava Manjughosa como se ela fosse a morte personificada e a destruidora de sua vida espiritual.

                   -Sua mulher tola! Você transformou todos os resultados dificilmente obteníveis das minhas austeridades em cinzas. Tremendo de ira, ele lançou uma maldição em Manjughosa:

                   -Ó pecaminosa! Ó coração de pedra, ó degradada! Você conhece somente o pecado, que toda má fortuna seja para você. Ó mulher tola, eu lhe amaldiçou a se tornar um duende do mal (pisaca)!

                   Amaldiçoada pelo sábio Medhavi, a belíssima Manjughosa humildemente implorou-lhe:

                   -Ó melhor dentre os brahmanas, por favor, seja misericordioso comigo e anule sua maldição!

Ó grandioso, esta dito que a associação com devotos puros dá de imediato resultado, mas que suas maldições só tomam efeito após sete anos. Estive com você durante cinquenta e sete anos, ó mestre, por favor, seja bondoso comigo!

                   Medhavi muni respondeu:

                   -Ó dama gentil, o que eu posso fazer agora? Você destruiu todas as minhas austeridades. Mas muito embora você tenha feito este ato pecaminoso, eu lhe descreverei uma maneira pela qual você poderá livrar-se da minha maldição. No quarto minguante do mês Caitra, existe um Ekadasi muito auspicioso que remove todos os pecados da pessoa, Papamocani é o seu nome. Ó belíssima, quem quer que jejue neste dia sagrado, torna-se completamente livre de ter que nascer em qualquer tipo de vida malévola.

                   Após proferir estas palavras, o sábio partiu para o asrama de seu pai. Vendo ele entrar no erimitério, Cyavana muni disse:

                   -Ó filho, por ter agido ilicitamente você desperdiçou as riquezas de suas austeridades e penitências.

                   Medhavi respondeu:

                   -Ó pai, revele gentilmente que penitência eu devo executar para remover este pecado detestável que cometi me associando em local privado com a dancarina Manjughosa.

                   Cyavana muni respondeu:

                   -Querido filho, você deve jejuar no Papamocani Ekadasi, o qual ocorre durante o quarto minguante do mês Caitra. Ele erradica todos os pecados, não importa o quanto grave eles possam ser.

                   Medhavi seguiu o conselho de seu pai e jejuou no Papamocani Ekadasi. Assim todos o seus pecados foram destruídos e ele novamente ficou repleto de bons méritos. De maneira similar, Manjughosa observou o mesmo jejum e livrou-se da maldição de torna-se um duende. Subindo novamente aos planetas celestiais, ela rapidamente retornou a sua posição anterior.

                   Lomasa rsi continuou:

                   -Assim, Ó rei, o grande beneficio de jejuar no Papamocani Ekadasi é que, quem quer que o faça com fé e devoção, terá todos os seus pecados destruídos.

                   Sri Krishna concluiu:

                   -Ó rei Yudhisthira, quem quer que leia ou ouça sobre o Papamocani Ekadasi, obtem o mesmo mérito que alcançaria se doasse mil vacas em caridade, e tambem nulifica as reações pecaminosas que possa ter feito por matar um brahmana, matar um embrião atraves do aborto, de ter bebido licor, ou ter feito sexo com a esposa de seu guru. Tal é o benefício incalculável de observar corretamente este dia sagrado de Papamocani Ekadasi, o qual é muito querido para Mim e tão meritório.

                   Assim acaba a narração das glórias do Caitra-krishna Ekadasi, ou Papamocani Ekadasi do bhavisya-uttara Purana.


NOTAS

1)Após o Senhor Siva ter perdido sua querida esposa Sati na arena sacrificial do prajapati Daksa, o senhor Siva destruiu toda arena. Então ele ressucitou o seu sogro Daksa, colocando nele a cabeça de um bode e finalmente ele sentou-se para meditar por sessenta mil anos. Contudo, o senhor brahma providenciou que Kamadeva(cupido) viesse interromper a meditação do senhor Siva. Usando as flechas do som, tato, sabor, visão e aroma, o cupido atraiu Siva, o qual por fim despertou do transe. Ele ficou muito irado por ter sido pertubado e instantâneamente transformou o cupido em cinzas, com um simples olhar do seu terceiro olho.

2)A associação luxuriosa com mulheres ou homens é tão poderosa que a pessoa até se esquece do tempo, energia, posses e até mesmo sua propria identidade.

De acordo com Yajnavalkya muni, uma pessoa celibatária (homem ou mulher) que deseja a vida espiritual, deve abandonar toda e qualquer associação sexual, incluindo pensar em sexo, vêr cenas de sexo, falar sobre sexo, se associar com pessoas inclinadas a sexo, aceitar serviços delas ou ter intercurso sexual com elas.


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