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Home / Calendário Vaishnava / Ekadasi / Histórias dos Ekadasis - 1 a 8 / 6- Bhaimi Ekadasi

6- Bhaimi Ekadasi

(Atenção!!! Não confundir com Pandava Nrjala Ekdasi)

      Maharaja Yudhisthira disse: "Ó Senhor dos senhores, Sri Krishna, todas as glórias a Você! O mestre do universo, unicamente Você é a causa do aparecimento dos quatros tipos de entidades vivas - Aquelas que nascem de ovos, aquelas que nascem da transpiração, aquelas que nascem de sementes e aquelas que nascem de embriões. - Somente Você é a causa básica de todos, e, portanto, Você é o criador, mantenedor e o destruidor."

      "Meu Senhor, Você explicou tão bondosamente para mim o dia auspicioso do Sat-tila Ekadasi, o qual ocorre durante o quarto minguante do mês Magha(janeiro/fevereiro), agora por favor explique sobre o Ekadasi que ocorre durante o quarto crescente deste mesmo mês. Com que nome ele é conhecido? Qual o processo para observá-lo? Qual é a deidade que deve ser adorada neste dia sublime, o qual é muito querido para Você?"

      O Senhor Sri Krishna respondeu: 'Ó Yudhisthira, Eu falarei com alegria para você, sobre o Ekadasi que ocorre durante o quarto crescente do mês Magha. Este Ekadasi destrói todos os tipos de reações pecaminosas, e influências demoníacas que afetam a alma espiritual. Ele também é conhecido como Jaya Ekadasi e a alma afortunada que observa o jejum neste dia, alivia-se do grande peso da existência fantasmagórica. Desta maneira, não há Ekadasi melhor do que este, pois ele concede a liberação do ciclo de nascimentos e mortes. Ele deve ser honrado muito cuidadosa e diligentemente. Assim, Eu lhe peço que Me ouça muito atentamente enquanto explico o maravilhoso episódio histórico relativo a este Ekadasi, o qual Eu já narrei anteriormente no Padma Purana, ó Pandava!'"

      "Muito, muito tempo atrás nos planetas celestiais, o senhor Indra governava o seu reino mui tranqüilamente e todos os semideuses, viviam ali muito felizes e contentes. Na floresta Nandana, a qual estava belamente decorada com flores parijata, Indra bebia ambrósia a vontade e desfrutava do serviço de cinqüenta milhões de apsaras(donzelas celestiais), as quais dançavam para o seu bel prazer."

      "Muitos gandhavas (cantores e músicos celestiais), liderados por Puspadanta, cantavam a doce voz além de comparação. Citrasena, o líder dos músicos de Indra, estava ali na companhia de sua esposa Malini, de seu belo filho Malyavam. Uma apsara chamada Puspavati encantou muito Malyavam; realmente, as flechas afiadas de cupido perfuraram o âmago do seu coração. O belo corpo e compleição, junto com os movimentos encantadores das sobrancelhas de Puspavati, cativaram Malyavam."

      "Ó rei, ouça enquanto descrevo a beleza esplêndida de Puspavati: Ela tinha braços graciosos e incomparáveis, os quais podiam abraçar um homem como um fino laço de seda; sua face assemelhava-se à lua cheia; seus olhos de lótus chegavam quase até as orelhas, as quais estavam adornadas com maravilhosos brincos; seu pescoço ornamentado era fino e assemelhavam-se a um búzio; sua cintura era muito esguia e da largura de um punho; seus quadris eram largos e suas coxas eram como troncos de bananeiras; seus aspectos naturalmente belos estavam complementados pelos magníficos ornamentos e roupas; seus seios eram arrebitados e olhar seus pés, era como contemplar lótus vermelhos recém desabrochados."

      "Vendo Puspavati em toda sua beleza celestial, Malyavam logo se apaixonou. Eles tinham vindo com outros músicos e dançarinos, para agradar o senhor Indra por meio do canto e da dança envolvente. Mas, devido a eles terem se enamorado um pelo outro, com o coração trespassado pelas flechas do copido, a luxúria personificada, eles estavam completamente incapazes de cantar e dançar apropriadamente, perante o senhor e mestre dos reinos celestiais. A pronúncia deles e o ritimo descompassado fez o senhor Indra compreender a causa dos erros de imediato. Ofendido pela execução musical desafinada, Indra ficou muito irado e gritou bem alto: 'Seus tolos inúteis! Vocês pretendiam cantar para mim estando na letargia da paixão um pelo outro? Vocês me ridicularizaram! Eu amaldiçoou vocês dois a sofrerem a partir de agora como pisacas(duendes do mal). Como marido e mulher vão para as regiões terrestres e colham as reações de suas ofensas.'"

      "Emudecidos por essas palavras ásperas, Malyavam e Puspavati logo ficaram tristes e caíram da bela floresta Nandana no reino celestial, para um pico dos himalaya aqui no planeta terra. Imensuravelmente tristes e com suas inteligências celestiais vastamente diminuídas pelos efeitos da poderosa maldição de Indra, eles perderam todo senso de paladar e olfato e até mesmo o sentido do tato. Estava tão frio e castigante naquele deserto de neve e gêlo nos Himalaya, que eles nem se quer podiam desfrutar do alívio do sono."

      "Perambulando desamparadamente de lá para cá e de cá para lá naquela altitude desagradável, Malyavam e Puspavati sofriam mais e mais a cada momento. Embora eles estivessem abrigados em uma caverna, devido à nevasca incessante e ao frio seus dentes batiam sem parar, e seus cabelos estavam arrepiados devido ao medo e espanto."

      "Nesta situação totalmente desesperadora, Malyavam disse para Puspavati: 'Que pecados abomináveis nós cometemos para ter que sofrer nesses corpos de pisaca e neste ambiente hostil e inabitável? Isto é absolutamente infernal! Embora o inferno seja muito feroz, o sofrimento que estamos passando aqui é ainda mais severo. Portanto fica bem claro que ninguém deve cometer qualquer pecado.'"

      "E então os amantes desamparados arrastaram-se progredindo na neve e gelo. Entretanto, devido à boa-fortuna deles, aconteceu de que aquele mesmo dia era o Jaya Ekadasi, o Ekadasi do quarto crescente do mês Magha. Devido à miséria por que passavam, eles negligenciaram de beber água, matar alguma caça e até mesmo de comer as frutas e folhas disponíveis naquela altitude, eles observaram inconscientemente o Ekadasi jejuando completamente de todo tipo de alimento e bebida. Absortos na miséria, Malyavam e Puspavati desmaiaram sobre uma árvore pipal, também conhecida como figueira dos pagodes, e nem sequer tentaram se levantar. O sol tinha se posto naquela mesma hora."

      "A noite foi ainda mais fria e miserável do que o dia. Eles tremiam na gélida nevasca e seus dentes batiam em uníssono e quando ficaram entorpecidos, eles se abraçaram mutuamente para manterem-se aquecidos. Preso um pelo braço do outro, eles não puderam gozar nem do sono nem do sexo. Assim eles sofreram durante toda noite devido a poderosa maldição de Indra."

      "Mesmo assim, ó Yudhisthira, pelos méritos alcançados com o jejum que eles tinham observado por acaso no Bhaimi Ekadasi, e devido a que eles permaneceram despertos por toda noite, eles foram maravilhosamente abençoados. Ouça, por favor, o que aconteceu no dia seguinte; assim que amanheceu no Dvadasi, Malyavam e Puspavati tinham abandonado suas formas demoníacas e eram novamente belos seres celestiais, usando ornamentos brilhantes e roupas exóticas. Enquanto eles se olhavam mutuamente surpresos, um aeroplano celestial(vimana) chegou ao local. Um coro de habitantes celestiais cantavam suas glórias, enquanto o casal subiam na bela aeronave e seguiam para diretamente para as regiões celestiais, saudados pelas boas vindas de todos. Rapidamente Malyavam e Puspavati chegaram a Amaravati, a capital do senhor Indra. Eles imediatamente se apresentaram a seu senhor e ofereceram a ele com alegria suas reverências."

      "O senhor Indra ficou atônito, ao ver que eles tinham sidos restaurados a suas formas e status originais, tão logo após terem sidos amaldiçoados a sofrer como demônios, muito, muito abaixo do reino celestial. Indra então perguntou a eles: 'Que feitos extraordinariamente meritório vocês executaram para que pudessem abandonar seus corpos de pisaca tão rapidamente   após eu ter amaldiçoado vocês?' Malyavam respondeu: "Ó senhor, foi pela misericórdia da Suprema Personalidade de Deus, o Senhor Vasudeva, e também pela influência poderosa do Jaya Ekadasi, que fomos aliviados da nossa condição sofredora como pisaca. Esta é a verdade, ó mestre; porque nós executamos serviço devocional ao Senhor Vishnu, jejuando no Ekadasi, o dia mais querido para Ele, nós recuperamos alegremente nosso status anterior.""

      "Indra disse: 'Porque vocês serviram ao Supremo Senhor Kesava, através de seguir o Ekadasi, vocês tornaram-se adoráveis até mesmo por mim e eu posso ver que agora, vocês estão completamente purificados do pecado. Quem quer que se ocupe em serviço devocional ao Senhor Sri Hari, ou ao senhor Siva, torna-se digno de ser adorado até mesmo por mim. Quanto a isto não há dúvida.'"

      "O senhor Indra então deu a Malyavam e a Puspavati, toda liberdade de desfrutarem um do outro e a movimentarem-se em seu planeta celestial."

      "Ó Yudhisthira, portanto deve-se observar estritamente o jejum do dia do Senhor Hari, especialmente no Bhaimi Ekadasi, o qual liberta a pessoa até mesmo do pecado de matar um brahmana duas vezes nascido. A grande alma que observa este jejum com toda fé e devoção, já deu todos os tipos de caridades; executou todos os tipos de sacrifícios e banhou-se em todos os lugares santos de peregrinação. Jejuar no Jaya Ekadasi, qualifica a pessoa a residir em Vaikunta e gozar de felicidade sem fim por bilhões de yugas, de fato, para sempre. Ó grande rei, até mesmo aquele que ouve ou lê estas glórias do Bhaimi Ekadasi, alcança o mérito que é obtido pela execução de um sacrifício Agnistoma, durante o qual os hinos do Sama veda são recitados."

      Assim termina a narração das glórias do Magha sukla Ekadasi, Bhaimi ekadasi, também conhecido como Jaya Ekadasi, do bhavisya-uttara Purana.


-NOTAS-

      Kamadeva, a luxúria personificada, tem cinco nomes de acordo com o dicionário Amara-kosa:

      1) Kandarpa ou cupido - No Bhagavad-gita(10.28) Sri Krishna diz: "Dentre as causas da procriação, Eu sou Kandarpa." A palavra Kandarpa também significa "muito belo" Kandarpa apareceu como um dos filho de Krishna em Dvaraka chamado de Pradyunma.

      2) Darpaka ou aquele que pode prevê o futuro - Este nome indica que cupido pode saber o que acontecerá e prevenir este acontecimento. Especificamente, ele tenta impedir a atividade espiritual pura, por controlar a mente de alguém, forçando-o a ocupar-se no gozo dos sentidos.

      3) Ananga ou o que não tem corpo físico - Certa vez, quando cupido pertubou a meditação do senhor Shiva, este poderoso semideus reduziu cupido a cinzas. Mesmo assim, Shiva deu ao cupido a benção de que ele poderia agir no mundo, mesmo sem um corpo físico.

      4) Kama ou a luxúria personificada - No Bhagavad-gita (7.11) O Senhor Sri Krishna diz: “Eu sou a vida sexual que não é contrária aos princípios religiosos”."

     

      5) Panca-Saraih ou aquele que porta cinco tipos de flechas - As cincos flechas com as quais o cupido perfura a mente das entidades vivas são: o sabor; o tato; o som; o olfato e a visão.

      Estes são os cincos nomes de cupido, o qual encanta todas as entidades vivas e faz com que elas executem o que ele quer. Sem a misericórdia do guru autêntico e de Krishna, a pessoa não pode resistir ao seu poder.


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